Querido Gustavo
Eu acho que te disse algumas coisas bastante perturbadoras uns dias atrás e venho, por meio desta, me explicar um pouco. Sabe… É que eu tenho achado tudo bastante complicado amigo. São muitas pressões e expectativas em cima de mim e Deus sabe que eu não lido muito bem com isso.
As pessoas querem demais. Elas exigem demais. Se partirmos deste ponto, poderiamos imaginar que elas preenchem os requisitos seguindo o que elas exigem. Não.
As pessoas simplesmente esperam que você seja bonito, alto, forte, educado, simpático, elegante, estiloso, bem vestido, empregado, saudável, fiel, leal, mentalmente estável, que você tenha bom gosto – seja lá o que isso significa - elas querem também que você não tenha barriga e que você tenha um pau grande e grosso. Por não corresponder a grande maioria destes requisitos decidi surtar.
E foi por isso que eu abandonei as pessoas e hoje, só me importo com as minhas pernas e tenho apenas um único amor: O alcóol.
Sabe querido, eu já tentei muitas coisas, mas a dicotomia existente entre ser inteligente [culto] contra ser popular dificulta as coisas. Eu já fui tudo: Comecei como um pirralho gordinho, que aos 12 anos já citava os grandes filósofos gregos para ninguém. Depois, fui um amável metaleiro amargurado, que tinha um grande coração, muito amor pra dar, escrevia pra caralho e tinha um cabelo comprido idealista e lindo. Porém, as circunstâncias me fizeram o que sou hoje. Um bicha beberrão e mau humorado. Poderia ser pior. Ao menos, eu sou irônico.
Eu bebo demais e fumo. Reclamo de quase tudo e não tenho culpa que algumas pessoas tenham resolvido achar isso bonitinho. Que seja! Tudo o que eu quero são pernas mais grossas. Sò isso amigo.
E é por isso que eu bebo. O alcóol não vê esse meu exterior esquisito e mal acabado. As latinhas não me julgam; elas apenas dizem: “Estou gelada, beba-me” e eu as obedeço. Estou velho e só tenho 22! Tenho muito medo do que eu venha a me tornar quando eu estiver de fato velho.
Eu tinha sonhos. Eu sonhava em acordar ao lado de um homem peludinho, me aninhar em seu peito e dizer “acorde amor, está na hora” e ele diria “só mais cinco minutos” e eu então o beijaria até ele despertar, e me agarrar e rolariamos na cama e riríamos e depois iriamos para a cozinha tomar café da manhã.
Adivinha! O sonho acabou! Misturei com vodka e virei numa festa ruim!
Meu último amor usou meu coração como peso de porta! Depois de algumas batidas, alguns chutes e muito cansaço ele está de volta, batendo desritimado como um sambista aleijado dentro do meu peito. E eu bebo para mantê-lo vivo. Bebo para ter alguma emoção e não ter que admitir que a vida, talvez, tenha acabado.
Sorvo o conteúdo das latinhas geladas como se fosse o amor que não me deram. Virar copos era, antigamente, uma medida preventiva para que eu não pensasse no assunto. Hoje, nada me abala, nada me move e eu continuo virando copos numa tentativa desesperada e frustrada de que algo retorne.
Bebo o amor que não me deram e hoje já não choro mais. A pior coisa do fim de um relacionamento é quando você para de ouvir uma música ou banda de que realmente gostava pra não lembrar de alguém. Pois NÃO MAIS eu vos digo! Me destruam, me matem, mas não mexam no meu playlist!
No momento em que te escrevo estas linhas, estou ouvindo Goldfrapp. Meu último amor destruiu meu coração e meus ouvidos.
Nunca mais passarei fome outra vez! Disse Scarlett O’Hara. Mas a minha fome é de amor. Pois depois de muita luta eu descobri que eu me basto! E que se fodam as pessoas e suas exigências de camarim! Enquanto eu tiver minhas latinhas e minhas cartas eu serei feliz!
02/03/2010 ás 3:30 am |
amigo bruno,
ao ler suas palavras, primeiro eu me pus a procurar urgentemente alguma coisa a dizer que não soasse como auto-ajuda, sabe? embora precise eu próprio de muita AUTO-AJUDA – no sentido de eu mesmo encontrar caminhos certos. mas aí eu desisti, por ora, já que qualquer coisa aparentemente positiva ressonaria provavelmente enviesado aí do outro lado.
prefiro, então, lhe (re)lembrar algo que me vem à mente agora:
22 anos são poucos anos, muito poucos! e o passar dos anos frequentemente faz com que certas coisas antes muito pesadas, difíceis, se transformem ou percam muito da sua velha importância – às vezes até desaparecem -, recebam outro olhar, de outra perspectiva – e isso pode mudar radicalmente tudo.
eu acredito que você vai se reinventar e reinventar de novo, e de novo… e vai encontrar um estado (sempre imperfeito!) que você vai pesar e chamar de felicidade.
um abraço grande,
e tou aqui por você.
02/03/2010 ás 10:43 am |
a gte tem esse lapsos de “eu mudei a minha vida”, “agora sou vou beber e conseguir minhas pernas”…
não sei como é cm vc, mas eu qse nunca levo isso adiante.
ao menos vc se lembra de um amor q bat desritmidado. fazem anos q nao sinto amor e tb esto velho, so q aos 20.
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02/03/2010 ás 1:34 pm |
pouca coisa a dizer … mas faço minhas as palavras do Desativado:
“22 anos são poucos anos, muito poucos! e o passar dos anos frequentemente faz com que certas coisas antes muito pesadas, difíceis, se transformem ou percam muito da sua velha importância – às vezes até desaparecem -, recebam outro olhar, de outra perspectiva – e isso pode mudar radicalmente tudo.”
perfeitas …
reinvente-se … é assim que funciona … vc ainda dará muitas risadas de tudo isto um dia …
bjux
03/03/2010 ás 7:52 pm |
MEu amigo.
Só digo que tudo que é meu é seu tbm, e o que é seu, nesse caso tbm é meu. E que todos os dias meu amor, meu coração e meus ouvidos estão abertos pra vc, pra sempre.
Te amo. Seja quem te apraz ser. Se alguém te amar por isso ótimo!
Senão, ao menos vc foi quem quis nessa vida e não alguém tentando ser o sonho e a vida de alguém.
28/05/2010 ás 2:14 pm |
texto incrível. Parabéns.